As Asas Por Trás do Homem Voador

Muitas pessoas têm medo de voar. A maior parte delas aponta principalmente o sentimento de angústia e a insegurança de não estar com os pés no chão, a outra parte coloca o medo de cair como o principal motivo do medo. Isso, para mim, é muito engraçado. O medo de cair quase nunca é citado como principal causa, mas sim o desconforto de estar longe da superfície. Voar exige coragem e entrega, características essenciais para um homem voador e facilmente observadas em Misael Dias Alves, também conhecido como Mitch, ou homemvoador, apelido escolhido para as redes sociais, mas que hoje faz parte de sua identidade.

Filho de pastor, cristão de berço, Mitch conta que viveu experiências com o Espírito Santo ainda quando criança, mas assim como boa parte dos jovens, teve seus momentos de obscuridão, até o momento de tomar sua decisão pessoal por Cristo e começar a traçar um novo caminho. Mitch, tem 30 anos, estudou jornalismo por 2 anos, mas se encontrou mesmo na música, estudou prática de banda, como cantor, em um conservatório de música, compõe e já gravou alguns cd’s com sua igreja local. Atualmente, ele se prepara para novos vôos, lançar o primeiro single de sua carreira solo de canções feitas para fora do contexto da igreja. Apesar de não ter seguido o jornalismo, Mitch conta histórias reais de seu cotidiano em um blog e compartilha com jovens suas experiências com Deus e sua caminhada cristã.

Mitch, como é ser filho de pastor?

Ser filho de pastor não é fácil, quem olha de fora só enxerga os privilégios, que existem, mas normalmente são enxergados como algo maior do que eles realmente são, ou como uma injustiça, acham que são luxos que eles não deveriam ter. Isso porque as pessoas não sabem o custo que é ser filho de pastor, a cobrança que a gente sofre por ser filho de pastor é grande. A gente ouve as pessoas falando disso por aí, mas normalmente é gente que não é filho de pastor e que não tem como mensurar o preço que se paga por isso.

Por isso resolveu criar uma conferência voltada para filhos de pastor?

Isso. Essa conferência que fiz durante os anos de 2014, 2015 e 2016, foi exclusiva para filhos de pastor. Fiz isso porque conheço a gravidade da situação que envolve os filhos de pastores em todo lugar, pai que é pastor cobra demais do filho sim, e às vezes eles fazem isso sem saber, às vezes acham que estão fazendo o melhor para nós, estão só tentando nos proteger, mas, além do que podem imaginar, colocam pressão nos filhos, mais do que qualquer outro filho cristão enfrenta. As vezes é algo de propósito, uma coisa deliberada, consciente, mas nem sempre. Todo filho de pastor sofre muita pressão dentro e fora de casa porque as pessoas esperam de nós coisas que são pouco realistas. Eu demoraria um século para realmente dissertar sobre quão séria é a pressão, porque normalmente quando alguém ouve um filho de pastor falar que é difícil, pensam que ele está sendo melindroso, mas é só porque a pessoa não experimenta o que a gente experimenta, as lutas são reais e elas são difíceis.

 Mitch, você tem 30 anos e é solteiro, existe muita cobrança para você ter um  relacionamento?
Tirando a infância, aquela fase em que cada semana a gente gosta de uma garota diferente, eu me apaixonei por umas 3 meninas ao longo da vida inteira e nunca deu certo. Eu sempre fui um cara difícil de me apaixonar e sempre levei relacionamento muito a sério. Sempre tive a intenção de conhecer uma garota, namorar, noivar e casar com essa garota, mas casamento nunca foi um sonho pra mim, e não é hoje também. Estou preparado para a ocasião de me apaixonar e querer viver pra sempre com uma garota. Eu estou bem solteiro, a única pressão que eu sinto a respeito disso é aquela velada, a pressão social que a gente percebe sem que ninguém mencione, pois eu cresci em uma comunidade muito saudável e tenho um diálogo aberto sobre tudo com meus pais. Então eles me conhecem, me entendem, e não me pressionam para casar, embora eles tenham o grande sonho de me ver casado. Mesmo na minha igreja, alguns amigos, às vezes, insistem que com certeza eu vou casar um dia e eu não tenho ideia por que eles dizem isso. Por que eles acham que casar é o ápice da vida humana eu não sei, mas mesmo meus amigos que conversam comigo mais profundamente para entender meu ponto de vista já aceitaram que não tem nada de errado comigo e que provavelmente, talvez eu nunca case.

Quando foi que você despertou para a vida com Deus e o relacionamento com o Espírito Santo?

Eu nasci num lar cristão e as minhas primeiras experiências com o Espírito Santo foram na infância, mas eu era, óbvio, uma criança e não tinha noção do que estava acontecendo. Hoje, quando eu olho pra trás e o toque do Espírito Santo é familiar pra mim, eu consigo enxergar onde ele começou a me marcar na minha infância. Eu não cresci e vivi a minha vida inteira a intimidade plena com Deus. Como qualquer cristão, eu lutei contra uma série de coisas, inclusive comigo mesmo e, na minha adolescência eu tive um período bem sombrio, que eu considero um período que aconteceu longe de Deus. Eu nunca abandonei a Igreja nem a minha família, nem deixei de ser assíduo na casa de Deus, mas existe uma grande diferença entre ser um praticante da religião evangélica e ter um relacionamento com Deus.

Como foi que você começou a perceber isso?

Hoje as pessoas estão falando muito disso, tanto que está caindo na moda e sempre que um assunto sério vira moda, infelizmente, perde a credibilidade. Acho que muita gente não acredita que um relacionamento com Deus possa ser mais do que aquela coisa fofinha e imaginária de que algumas pessoas falam, mas eu sou uma testemunha de que existe muita diferença entre uma religião evangélica ritual e um relacionamento real com Deus que sim, é possível, e pode ser algo, tangível. Eu comecei a descobrir isso depois da minha adolescência, quando percebi que a religião não tava me ajudando e que quanto mais eu tentava fazer da religião o meu suporte espiritual e quanto mais eu tentava me salvar do meu próprio jeito, mais eu me distanciava de Deus. Eu já tinha tentado de tudo, sabe? No que se refere a práticas, práticas rituais evangélicas, e nada me transformava. Quando aconteceu o primeiro Flames, lá em 2008, eu tomei uma decisão muito séria de ser um verdadeiro discípulo de Jesus, um verdadeiro filho de Deus, com a consciência de que isso dependia de mim, porque infelizmente, todo mundo aprende a esperar que Deus opere um milagre, transformando nossa vida espiritual estantaneamente, mas não é assim que funciona. Nós temos responsabilidade pela nossa vida espiritual e foi em 2008 que eu percebi isso numa certa medida e resolvi buscar a Deus. Foi mais que tudo, um processo de arrependimento. Sinceramente, confissão é um processo doloroso de negar as coisas ruins que estavam dentro de mim.

Em 2011 eu fui para um instituto bíblico, porque eu senti Deus falando comigo que eu precisava ir e foi um momento maravilhoso da minha vida em que eu precisei viver. 6 meses no altar, seis meses de prensa, seis meses de morte aos pés de Jesus, mas que mudaram minhavida. Foi ali que eu comecei a perceber a presença do Pai de uma maneira contínua, comecei a perceber que, por mais imperfeito que eu fosse, Ele já tinha escolhido me amar e eu poderia viver com Ele.

Como assim tangível? (leia o relato clicando AQUI)

Desde quando você tem uma relação próxima com a música?

Eu tenho uma relação super forte com a música. Minha mãe logo que se converteu, lá com meus 14 aninhos de idade, na igreja batista no interior de São Paulo, já entrou para o coral, e passou a vida dela naquela igreja participando do ministério de louvor da juventude, e do coral também. O meu pai desde os 13 anos já trabalhava com Rádio, eram outros tempos, né? Ele sempre esteve envolvido no universo da música também e, depois disso, já convertido, começou a cantar na igreja. Quando eu era criança, meus pais eram líderes do ministério de louvor de uma igreja importante em São Paulo, e eles coordenavam uma equipe que era composta por músicos profissionais, eram o grupo B do ministério Koinonya de Louvor, um dos ministérios de louvor que marcou a igreja do brasil na década de 90 com Bené Gomes, Alda Célia, Kleber Lucas, Ludmila Ferber. O grupo B que tava nas conferências, no trabalho rotineiro da igreja, que era liderado pelos meus pais. Eu cresci ali, a gente tinha uma realidade não muito privilegiada na época, a gente não tinha carro, dependia muitas vezes de carona, porque nem transporte coletivo a gente tinha como pagar, mas minha irmã e eu sempre estávamos envolvidos. As vezes meu pai pegava a gente na escola e ficavamos no ensaio. Todos trabalhavam e os ensaios aconteciam em horários alternativos, então, nós crianças não tinhamos muito o que fazer nesses momentos, assim eu cresci envolvido nessa realidade Músical.

Música secular X Música gospel, existe essa separação para você?

Cara, a primeira coisa que eu penso sobre música é que música é divina, Música é de Deus, o Criador é o dono da criação, e a música não foi criada pelo ser humano, nem por Satanás, ela foi criada por Deus. Deus se considera o dono das árvores, das montanhas, do mar, por que Ele fez tudo isso, então, com certeza, se Ele fez a música Ele leva a sério que a música pertence a Ele e mais ninguém. Existe uma cultura que já há muitas e muitas décadas, na verdade há muitos séculos, permeia a comunidade evangélica, separando a música entre dois universos, o secular e o evangélico, ou cristão, nesse sentido. O que é corrente é dizer que a música que pertence ao cristão, pertence a igreja, é produzida para Deus, é sagrada, pura, inerentemente santa e abençoada e abençoadora, enquanto a música que não é produzida para Deus, por cristãos ou pela igreja, que é produzida por pessoas que não fazem parte dessa comunidade é automaticamente contaminada e pertence ao diabo, porque se não é pra Deus o diabo se apropria disso. O que as pessoas não sabem é que essa ideia se origina na idade média, lá existia a separação, por parte da igreja, do que é Música sacra, e o que é Música pagã, digamos assim, música Santa e música não santa. Nessa época não se diria da música não sacra, ou da Música pagã, o que se diz hoje da música secular, simplesmente não era de Deus, não era pra Deus, não valia pra igreja, não tinha valor, mas hoje a gente diz coisas bem piores da música não evangélica, que ela é carregada de energias demoníacas e pertence ao diabo.

Algo Cultural, então? 

Sim. O que a Bíblia diz não é nada disso, não existe nenhuma passagem bíblica que sustente esse pensamento evangélico, na Bíblia não existe separação entre música secular e música cristã, então eu não vou simplesmente adotando uma separação consensual entre esses dois tipos de música como regra pra mim porque meu manual como cristão é a Bíblia não a cultura corrente. O que eu sei é que Paulo diz, todas as coisas me são lícitas, mas nem tudo me convém, todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam. Se a gente pensar nisso no campo da música, o que Paulo está dizendo, encaixando ao contexto da música, eu posso ouvir todo tipo de música, mas nem todo tipo de música é conveniente para mim, eu posso ouvir a música que eu quiser, mas nem todo tipo de música me edifica, então é por aí que eu prefiro separar o tipo de música que eu escuto. Pessoalmente eu acho que é um filtro bom, o que me edifica e o que não me edifica. Sinceramente, existem muitas músicas não religiosas que obviamente não são edificantes e promovem o pecado, mas existem músicas não cristãs que são muito edificantes, que promovem o amor, a justiça, a paz e tanto mais, que as vezes são Bíblicas e cristãs, apesar de não serem feitas por cristãos. Ao mesmo tempo existem músicas evangélicas e cristãs que são edificantes e abençoadoras, e existem músicas evangélicas que não são edificantes e na verdade promovem certos tipos de pecado, promovem heresias e coisas que não são apenas erradas, mais contrárias a Bíblia. Se eu posso todas as coisas mas nem tudo me convém, nem tudo me edifica, é isso que eu tenho que pensar, não se é evangélica ou não, esse é o meu filtro. Pessoalmente eu escuto mais música cristã do que qualquer outra, porque são músicas que me edificam bastante, mas eu também acompanho alguns artistas que produzem músicas, que apesar de não serem cristãs, são bem edificantes.
É com esse pensamento que você escreveu Catavento? conta pra gente.
Eu sempre escrevi música pra igreja e, por várias questões, eu sempre me voltei para o pop rock para fazer isso, inclusive, minha igreja local gravou o Deixa o Teu Amor Reinar e a maior parte do repertório é de minha autoria e o estilo é pop rock. Tenho bastante repertório ainda inédito nessa vibe, o que significa que eu não pretendo, no futuro, abandonar simplesmente a música de igreja, eu acho que nunca vou parar de fazer música de igreja, porque eu sempre vou ser um garoto de igreja. Mas além dessa possibilidade eu sempre quis ter meu trabalho solo e fazer uma música mais abrangente, que pessoas que não estão num contexto de igreja pudessem ouvir e se identificar, não necessariamente música pra cantar pra Deus, mas música pra ouvir no carro, no celular e pra reavaliar a experiência humana. Então eu escrevo muito sobre a experiência humana e estou começando agora minha carreira solo como homem voador. Pra começar eu vou lançar um single, uma música a ser lançada no singular, chamada catavento. Eu trabalho com MPB, mas crio uma vertente muito minha, eu não estou tentando fazer um trabalho que pareça algo que já existe no mercado, eu tiro bastante influência de música antiga, samba especialmente, lá de 1930 e coisas desse tipo, e sempre tento trazer uma nuance mais moderna para o que eu estou fazendo, apesar da minha inspiração ser retrô, então, Cata-vento é uma ciranda, é o único jeito de definir o estilo dela, em que eu produzi cada detalhe, junto com meu produtor  Nando Paduã, do estúdio “Sons e Tons”. Eu gosto muito de ter a liberdade de fazer as coisas do jeito que eu imagino e foi o que eu tive nessa experiência. Então a música fica como está na minha imaginação, expressando o que eu queria, cada detalhe pensado para contar uma história e eu já to quase terminando de produzir, até o começo do ano que vem já vai estar nas plataformas digitais, mas, enquanto isso, criei um canal do youtube, bem improvisado, gravo no smartfone mesmo, pra mostrar um pouquinho da história do single e da produção de cata-vento.

Blog do Mitch

Página do Mitch Maier no Facebook 

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