[Resenha] Convulsão protestante – Quando a teologia foge do templo e abraça a rua

Autor: Antônio Carlos Costa. Editora: Mundo Cristão.

Disponível para compra na Saraiva e na Amazon

Meu comentário: A igreja por muitos anos desprezou o jovem universitário e o conhecimento “secular” em geral. Quando meus pais eram mais jovens, por exemplo, um cristão frequentar a universidade era sinônimo de afastamento da igreja e rebeldia. Por anos, jovens cristãos viveram isolados do mundo, escondidos do conhecimento, até que veio um avivamento e começamos a ocupar as universidades, fazendo delas um campo missionário. Hoje, minha geração dá um novo passo, são jovens que tem o conhecimento e também são esclarecidos politicamente, que lutam com as armas espirituais e também físicas, lutam pelos seus direitos como cidadãos. Jovens que oram, mas também agem, manifestam-se, protestam contra a desigualdade e saem da zona de conforto por uma comunidade mais justa. É sobre isso que fala o livro Convulsão Protestante, do pastor, teólogo, jornalista e fundador da ONG  Rio de paz, João Carlos Costa.

Resenha: O livro abre com o texto de Tiago e no decorrer da narrativa traz à tona temas polêmicos que por anos a igreja empurrou para debaixo do tapete. Entretanto, se você espera bandeiras ideológicas ou partidárias este não é um livro para você. João Carlos não defende esquerda ou direita, mas mostra como ser politicamente ativo sem se comprometer com injustiças, que são defendidas pelos dois lados.

“Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redarguidos pela lei como transgressores.” Tiago 2:1-9

20170130_171407Uma das coisas que mais me toca neste livro é entender que o cristão precisa viver uma vida condizente com a vida de Jesus ao ponto de que suas vidas se confundam. Dizer-se cristão mas agir de maneira amarga, estúpida, preconceituosa e antidemocrática é se contrapor àquilo que diz, é ser hipócrita, e esse tem sido o pecado de estimação da igreja atual. Isso vai além de dizer que não gosta de política, ser alienado pode ser um pecado terrível, pois pode fortalecer sistemas de injustiça.

Três pontos importantes trabalhados no livro:

  • A importância de amar ao próximo.

Amar ao próximo é se importar, como diz Costa, na página 35, “A obra de arte é expressão inanimada da alma do artista; já o ser humano é revelação viva do ser de Deus. Um quadro rasgado nunca me perguntará: por que me destrói?”. Então a caridade e luta pelos direitos dos mais pobres precisa também ser o foco da nossa luta, sem jamais se esquecer da evangelização, pois levar o evangelho é algo que só nós cristãos podemos fazer pelas pessoas.

  • Riqueza é ser bem visto aos olhos de Deus?

Um dos pontos mais profundos do livro é o entendimento que o pastor passa sobre como a riqueza é vista pelos líderes, sendo sinônimo de sucesso e bondade de Deus, quando na verdade o rico pode ser o mais necessitado de Deus, tão preso em suas riquezas que está bem longe da verdade de Deus. Ser rico muitas vezes é ter prioridade entre o corpo, mas não deve ser. A igreja pode ser, para o rico, apenas mais um lugar a conquistar, como o autor diz, “Possui corpos, possui coisas possui cargos. Usa pessoas e compra o que reveste sua vida de glória e faz pobres mortais tremerem na sua presença. Passa a considerar que tem atributos divinos ou, no mínimo, que é um escolhido de Deus.” Página 92.

  • Como o cristão tem abandonado o mundo.

Por muito tempo a Bíblia tem sido usada para criar condutas anticristãs. Versículos destacados por falsos profetas têm deturpado o cristianismo puro e simples, bravamente pregado por Jesus. Como Carlos destaca, “O coração é a sede da heresia, que vira teologia. Essa por sua vez justifica o mal. O resultado é que nosso preconceito contamina todas as nossas ações, até quando dispomos a fazer alguma coisa supostamente para glória de Deus.” Página 48.

“Atribuir fundamento teológico ao que é injusto, transformando em valor cultural inegociável, tem servido para construir um mundo dentro do qual o ser humano não consegue viver.” Página 117.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s