[Entrevista] Aos Dog’s também pertence o céu

Bruno descobriu nas redes sociais uma maneira de levar o amor de Deus a todas as pessoas, vencendo até mesmo a timidez. Neto de pastores, foi conhecer o verdadeiro Cristo há poucos anos e garante, “Deus vai te levar onde Ele quer que você esteja. Sem esforço seu, Ele vai te levar”.

Bruno Kruber tem 20 anos e é o famoso “cristão de berço”. Seus avós são pastores de uma igreja no Paraná. Desde muito cedo, conheceu o cotidiano evangélico, mas considera que começou a viver um relacionamento verdadeiro com Jesus desde 2013. Ele descobriu através de amigos um relacionamento pessoal com Deus e, a partir desse momento, começou a influenciar milhares de jovens a também conhecer o Senhor. Através de vídeos engraçados e fotos criativas, ele tem levado a mensagem da cruz a Dog’s (como chama a seus seguidores), de todo o Brasil. Em 2016, Bruno encarou ao lado dos amigos um novo desafio: juntar muitos jovens de diferentes denominações em um lugar aberto, onde qualquer um pudesse participar para adorar, orar e fazer o nome de Jesus conhecido. O projeto que começou em São Paulo, teve recentemente uma edição em Belo Horizonte.  

Bruno, como você se tornou cristão? 14732216_689973801184005_7129556110290617604_n

Meus avós são pastores, desde pequeno lembro que eles falavam muito do amor de Jesus para mim. Íamos em uma igreja Quadrangular lá em Curitiba, na qual me converti, e quando fui para o Japão morar com meus pais fiquei meio afastado, não falava muito de Jesus. Fiquei no Japão por dez anos e nesse período não tinha relacionamento com Ele, não O conhecia. Quando voltei para o Brasil e fui morar de novo com meus avós, voltei a participar da rotina da igreja, mas tudo era muito difícil para mim, meus avós eram muito rígidos. Eles são pastores e o contraste do que eu vivia lá no Japão era muito grande. Ainda assim me batizei, comecei a estudar piano e tocar no louvor. 

Você era então aquele cristão “normal”. Mas quando foi que tudo mudou? 

Bem, quando meus pais chegaram ao Brasil eu me mudei para São Paulo e comecei a ir em uma igreja Batista aqui na rua de casa, que era mais perto, só que eu não me adequei. Só fui conhecer Jesus como eu conheço hoje quando conheci os dois amigos, o Vitor e a Jessica Azevedo. Na verdade, primeiro a Jessica porque estudávamos na mesma escola, depois estudamos publicidade praticamente juntos, e através dela eu conheci toda a galera. Na verdade eu considero que conheci a Cristo de verdade nesse momento da minha vida, cerca de dois, três anos.

O que essa amizade influenciou na sua vida com 13600196_627318740782845_5374463995048858770_nDeus?
Eu percebi que a forma com que eles tratavam e se relacionavam com Deus era diferente do que eu tinha aprendido. Foi uma desconstrução do evangelho, da forma que eu conhecia para a forma que realmente era, uma transformação mesmo.

Como assim uma “desconstrução do Evangelho”? O que você acredita que foi completamente desconstruído na sua vida?

A forma com que eles falavam com Jesus era diferente de tudo o que eu tinha aprendido. Aprendi quando era menor que não devia nem mesmo chamar Jesus de você, que era uma falta de respeito. Então, o que mais me impressionou foi a intimidade que eles tinham, tendo Jesus realmente como um irmão, como uma pessoa. Vale lembrar que Jesus ressuscitou e ele está vivo e nosso relacionamento é real, não estou conversando com alguém estático. Ele não muda, mas se move. Essa forma de tratar Jesus foi o que mais desconstruí, era completamente diferente do que eu pensava. 

Como você descreveria sua vida com Deus hoje em uma palavra? 

Paternidade. Realmente é ela que define esse momento que eu vivo hoje com Jesus.

14993565_323118228070936_5817644928358575062_n

De onde veio a ideia do No Parque

O “No Parque” surgiu de uma reunião que eu organizava chamada OPEN, que eram encontros fechados, entre jovens amigos cristãos. Lá nós conversávamos sobre Jesus, adorávamos, a ideia era a presença de Deus livre, por isso open. Nesses encontros iam três movimentos que aconteciam separados, nossa célula, as reuniões do Felipe Lancaster que se chamavam ‘No Estúdio’, e as do Matheus Paludo que se chamavam Epanástasi. Os três aconteciam em lugares fechados, pequenos, só para a galera mais próxima, mas com o tempo foi juntando uma galera legal nas redes sociais querendo participar. O movimento cresceu tanto que, uma noite lá na casa do Felipe, a gente sentou e começamos a pensar: “meu, o que a gente pode fazer para isso acontecer?” Começamos a pensar em levar algo maior para os jovens, sair e mostrar a desconstrução que temos aprendido, o evangelho puro e simples para a galera em um local grande e aberto onde membros de todos os grupos pudessem participar. Foi aí que surgiu o No Parque, com o nome inspirado em No Estúdio. Aproveitamos que nossa amiga Isadora Pompeu (Youtuber) estava em São Paulo e combinamos uma data e em fevereiro aconteceu o primeiro NO PARQUE, em novembro fizemos a sétima edição.

Porque o apelido DOG entre você e seus seguidores? 

Essa é a pergunta que eu mais recebo, mas eu não me canso de explicar. Tem um vídeo na internet que a família do Vitor viu que falava “se é LOKO cachorreira”, um vídeo que na verdade eu nunca assisti, e então eles começaram a falar cachorreira entre eles. Cachorreira virou cachorro, cachorro virou Dogs, e dogs virou tudo isso que a gente vê hoje, eu tomei pra mim como um apelido carinhoso e uso com a galera. 

Como começou sua relação com as redes sociais? Você pensava em ser um influente?

A internet começou muito de repente na minha vida, sempre gostei muito de fotografia e dessa área de edição de fotos. Minha vida na internet começou no Instagram, eu sempre postava fotos de momentos importantes e há uns anos atrás, quando surgiu o Snapchat, eu fiz uma conta. Eu já fui hackeado três vezes lá (já perdi minha conta três vezes). Eu gostava do Snap, mas tinha muito medo de voltar, não queria mais ser hackeado. Só que um dia resolvi, fiz a conta brunokruber, e o número de views começou a aumentar muito. Isso me assustava no começo, passei a ter 300, 400, 500 views, depois já estava com números absurdos lá e eu percebi que a galera gostava de ver. Começaram a me pedir um canal no YouTube, mas eu sou muito tímido, não parece, mas sou. Quando você está gravando ali no celular, existe aquela falsa impressão que você está sozinho, mesmo com milhares de pessoas ali te assistindo. Eu não queria viver tudo isso porque sou tímido, mas dado momento eu falei “quer saber, que se dane, vou pro YouTube”. Passei um momento fora das redes socais, mas quando voltei já voltei com o canal, e a galera toda está curtindo. 

Qual é o seu propósito e ministério? Qual a sua diferença no mundo? 

Eu acredito que muito do meu ministério é nas redes sociais, influenciar as pessoas digitalmente, falar do amor de Jesus. Só que eu acredito muito mais em cuidar das pessoas, pessoalmente. Tem muita gente que vem e conversa comigo, é muito difícil responder todo mundo mas eu sempre tento; é muito melhor ter como ministério esse tratamento individual do que a exposição geral. Eu também tenho um anseio no meu coração de trabalhar com crianças, eu sou apaixonado por crianças. Tenho dois irmãos mais novos e em janeiro, quando fui para uma missão na Bahia, Jesus falava ao meu coração, “Porque as pessoas precisam esperar chegar a ter vinte, trinta, quarenta anos para conhecer Jesus se elas podem conhecê-lo ainda crianças”. Além das redes sociais eu gosto muito de trabalhar com crianças. 

O evangelismo através das redes sociais é um ministério pra você, um canal de benção, mas o que você diria que as redes sociais prejudicam no seu relacionamento com Deus? 

Eu acho que aquela frase que nossas mães falam é muito real, tudo demais faz mal. Eu já passei por esse momento das redes sociais atrapalharem minha vida com Deus, meu relacionamento com Jesus. Realmente é tudo muito legal, elas te atraem muito, mas você precisa ter a consciência de não ficar ali 24h por dia. Baixei um aplicativo chamado MOMENT, que diz quantas horas você fica no celular, e tiveram dias em que aparecia para mim onze horas, oito horas por dia, e isso não está certo, eu podia estar dedicando esse tempo para Deus. Inclusive, meu primeiro vídeo do canal é sobre isso, sair das redes sociais e se dedicar a Cristo. Agora, também existem outras coisas que podem atrapalhar seu relacionamento com Ele, uma coisa muito polêmica é que muitas vezes o seu próprio ministério pode atrapalhar seu relacionamento com Jesus. Às vezes você tem que cumprir horário na igreja, trabalhar, trabalhar, trabalhar… E isso muitas vezes tira o seu tempo com Deus, mil coisas podem tirar seu tempo com Deus. 

Se você pudesse falar algo para todos os jovens do Brasil, só uma coisa, o que você falaria

Eu pediria para que eles tomassem como prioridade a vida com Jesus. E tenho certeza que eles me perguntariam: como se tem uma vida com Jesus? E eu diria que um relacionamento com Ele se constrói normalmente. Assim como os relacionamentos normais, ele se constrói com diálogo, conversas, se conhecendo. Você precisa se relacionar e conhecer Jesus, aquilo que Ele gosta e não gosta, as preferências, tudo isso que compõe um relacionamento. Assim como eu estou me relacionando com você agora nessa conversa, ou como eu me relaciono com minha mãe, ou me relaciono com uma namorada, é assim que a gente constrói relacionamento. Bem, eu diria isso.

Anúncios

3 comentários sobre “[Entrevista] Aos Dog’s também pertence o céu

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s